Ela era ela

Monday, August 07, 2006

A mare vermelha e as torneiras

A atmosfera de Buenos Aires tem muitas nuances e nao e analoga a sua temperatura.

E impressionante como os argentinos acompanham a vida politica do Brasil e partilham a sensacao de decepcao com o governo Lula. Eles enxergam no Brasil um expoente, uma referencia, e ansiavam por uma reforma politica latino americana com a chegada do PT ao governo. Chamam Lula de fraco, traidor e o comparam a FHC. Enfim.

A rivalidade do futebol e reproduzida sim nos dialogos entre brasileiros e argentinos, mas nem de longe e relevante a ponto de gerar conflitos circunscritos as piadas. Quando se fala em Brasil, ha uma identificacao imediata, aflora en los chicos um sentimento de pertencimento a America Latina.

Em Buenos Aires, observei duas manifestacoes de preconceito. Os peruanos sao discriminados por muita gente. E parte de um ciclo vicioso, eles vem em busca de emprego, nao conseguem e acabam trabalhando em subempregos ou caem na marginalidade. Ate agora nao tive a oportunidade de ver um peruano bem sucedido. Tracos fortes, os cabelos super lisos e pretos e as roupas coloridas delineam a presenca que em Buenos Aires e pouco querida.

A segunda manifestacao de preconceito tem a ver com o sentido literal dessa palavra, um conceito formado antes do contato com o objeto em questao. Em Buenos Aires nao existem negros. E surreal, pros argentinos uma coisa meio Zeca Pagodinho / Nunca vi nem comi eu so ouco falar /. Aqui nao houve escravidao nem migracoes do continente africano, entao o negro e tido como um elemento folclorico e distante da realidade. E o puro e simples desconhecimento da raca, vista apenas nos cinemas e seriados norte americanos.

Mas essa sociedade tambem sabe incluir. Aqui os portadores de necessidades especiais tem mais possibilidades de revelar sua autonomia, em varios espacos existe a atencao necessaria. Rampas, elevadores, traducoes em braile e varias sinalizacoes especificas fazem parte do cotidiano. Com certeza nao e uma situacao ideal, mas los hermanos estao melhores que nos nesse ponto.

A corrupcao aqui se manifesta entre policiais e taxistas. Ambos sao vistos com muita ressalva. Os primeiros trazem uma sensacao de inseguranca, sao abusados e sem escrupulos. Os segundos nao respeitam o turista, tem uma politica de exploracao escatologica, a ponto de haver uma campanha publica alertando sobre o perigo de tomar um taxi nao conveniado a algumas redes que possuem credibilidade.

Outras percepcoes menos reflexivas / Em Buenos Aires o vermelho no cabelo esta na moda. Um amigo daqui disse que meses atras houve uma campanha publicitaria de uma tinta dessa cor, e desde entao as argentinas estao freneticas. Varios tons ruivos combinados a cortes modernos, desfiados [ sera que a navalha so chegou aqui agora] compoem a mare vermelha da cidade.
Aquelas torneiras em dupla, quentes e frias, funcionam em todo lugar. Talvez por uma questao de sobrevivencia, ja que o frio nao e brincadeira. Aqui tem pedacos de Sao Paulo e Brasilia, avenida paulista, eixao, pizza, debate politico, cemiterio VIP. Na capital paulista, esta enterrada no centro da cidade a familia Matarazzo / Em Buenos Aires, Evita.


+ A falta de pontuacao e acentuacao e culpa do teclado desconfigurado do albergue. A foto eu coloco quando chegar a um computador com entrada USB.

Friday, August 04, 2006

Partiu


Um grande amigo sugeriu que eu criasse esse blog pra mandar notícias da Argentina. Por que não?