A mare vermelha e as torneiras

A atmosfera de Buenos Aires tem muitas nuances e nao e analoga a sua temperatura.
E impressionante como os argentinos acompanham a vida politica do Brasil e partilham a sensacao de decepcao com o governo Lula. Eles enxergam no Brasil um expoente, uma referencia, e ansiavam por uma reforma politica latino americana com a chegada do PT ao governo. Chamam Lula de fraco, traidor e o comparam a FHC. Enfim.
A rivalidade do futebol e reproduzida sim nos dialogos entre brasileiros e argentinos, mas nem de longe e relevante a ponto de gerar conflitos circunscritos as piadas. Quando se fala em Brasil, ha uma identificacao imediata, aflora en los chicos um sentimento de pertencimento a America Latina.
Em Buenos Aires, observei duas manifestacoes de preconceito. Os peruanos sao discriminados por muita gente. E parte de um ciclo vicioso, eles vem em busca de emprego, nao conseguem e acabam trabalhando em subempregos ou caem na marginalidade. Ate agora nao tive a oportunidade de ver um peruano bem sucedido. Tracos fortes, os cabelos super lisos e pretos e as roupas coloridas delineam a presenca que em Buenos Aires e pouco querida.
A segunda manifestacao de preconceito tem a ver com o sentido literal dessa palavra, um conceito formado antes do contato com o objeto em questao. Em Buenos Aires nao existem negros. E surreal, pros argentinos uma coisa meio Zeca Pagodinho / Nunca vi nem comi eu so ouco falar /. Aqui nao houve escravidao nem migracoes do continente africano, entao o negro e tido como um elemento folclorico e distante da realidade. E o puro e simples desconhecimento da raca, vista apenas nos cinemas e seriados norte americanos.
Mas essa sociedade tambem sabe incluir. Aqui os portadores de necessidades especiais tem mais possibilidades de revelar sua autonomia, em varios espacos existe a atencao necessaria. Rampas, elevadores, traducoes em braile e varias sinalizacoes especificas fazem parte do cotidiano. Com certeza nao e uma situacao ideal, mas los hermanos estao melhores que nos nesse ponto.
A corrupcao aqui se manifesta entre policiais e taxistas. Ambos sao vistos com muita ressalva. Os primeiros trazem uma sensacao de inseguranca, sao abusados e sem escrupulos. Os segundos nao respeitam o turista, tem uma politica de exploracao escatologica, a ponto de haver uma campanha publica alertando sobre o perigo de tomar um taxi nao conveniado a algumas redes que possuem credibilidade.
Outras percepcoes menos reflexivas / Em Buenos Aires o vermelho no cabelo esta na moda. Um amigo daqui disse que meses atras houve uma campanha publicitaria de uma tinta dessa cor, e desde entao as argentinas estao freneticas. Varios tons ruivos combinados a cortes modernos, desfiados [ sera que a navalha so chegou aqui agora] compoem a mare vermelha da cidade.
E impressionante como os argentinos acompanham a vida politica do Brasil e partilham a sensacao de decepcao com o governo Lula. Eles enxergam no Brasil um expoente, uma referencia, e ansiavam por uma reforma politica latino americana com a chegada do PT ao governo. Chamam Lula de fraco, traidor e o comparam a FHC. Enfim.
A rivalidade do futebol e reproduzida sim nos dialogos entre brasileiros e argentinos, mas nem de longe e relevante a ponto de gerar conflitos circunscritos as piadas. Quando se fala em Brasil, ha uma identificacao imediata, aflora en los chicos um sentimento de pertencimento a America Latina.
Em Buenos Aires, observei duas manifestacoes de preconceito. Os peruanos sao discriminados por muita gente. E parte de um ciclo vicioso, eles vem em busca de emprego, nao conseguem e acabam trabalhando em subempregos ou caem na marginalidade. Ate agora nao tive a oportunidade de ver um peruano bem sucedido. Tracos fortes, os cabelos super lisos e pretos e as roupas coloridas delineam a presenca que em Buenos Aires e pouco querida.
A segunda manifestacao de preconceito tem a ver com o sentido literal dessa palavra, um conceito formado antes do contato com o objeto em questao. Em Buenos Aires nao existem negros. E surreal, pros argentinos uma coisa meio Zeca Pagodinho / Nunca vi nem comi eu so ouco falar /. Aqui nao houve escravidao nem migracoes do continente africano, entao o negro e tido como um elemento folclorico e distante da realidade. E o puro e simples desconhecimento da raca, vista apenas nos cinemas e seriados norte americanos.
Mas essa sociedade tambem sabe incluir. Aqui os portadores de necessidades especiais tem mais possibilidades de revelar sua autonomia, em varios espacos existe a atencao necessaria. Rampas, elevadores, traducoes em braile e varias sinalizacoes especificas fazem parte do cotidiano. Com certeza nao e uma situacao ideal, mas los hermanos estao melhores que nos nesse ponto.
A corrupcao aqui se manifesta entre policiais e taxistas. Ambos sao vistos com muita ressalva. Os primeiros trazem uma sensacao de inseguranca, sao abusados e sem escrupulos. Os segundos nao respeitam o turista, tem uma politica de exploracao escatologica, a ponto de haver uma campanha publica alertando sobre o perigo de tomar um taxi nao conveniado a algumas redes que possuem credibilidade.
Outras percepcoes menos reflexivas / Em Buenos Aires o vermelho no cabelo esta na moda. Um amigo daqui disse que meses atras houve uma campanha publicitaria de uma tinta dessa cor, e desde entao as argentinas estao freneticas. Varios tons ruivos combinados a cortes modernos, desfiados [ sera que a navalha so chegou aqui agora] compoem a mare vermelha da cidade.
Aquelas torneiras em dupla, quentes e frias, funcionam em todo lugar. Talvez por uma questao de sobrevivencia, ja que o frio nao e brincadeira. Aqui tem pedacos de Sao Paulo e Brasilia, avenida paulista, eixao, pizza, debate politico, cemiterio VIP. Na capital paulista, esta enterrada no centro da cidade a familia Matarazzo / Em Buenos Aires, Evita.
+ A falta de pontuacao e acentuacao e culpa do teclado desconfigurado do albergue. A foto eu coloco quando chegar a um computador com entrada USB.
+ A falta de pontuacao e acentuacao e culpa do teclado desconfigurado do albergue. A foto eu coloco quando chegar a um computador com entrada USB.

7 Comments:
Em uns poucos dias, você já analisou mais aspectos da vida argentina do que eu conseguiria analisar em uns muitos anos. Pois eu digo, pelo menos, que a cerveja aí é boa (baseado em análise que eu fiz em uns poucos dias e você não faria em uns muitos anos).
Te amo.
vc é incrível! disse tudo q eu queria dizer, e mais um pouco! tb me assustei com o fato de não ver negros nas ruas, e de todos serem parecidos, só vária estatura e gordura!rs...
quanto ao futebol, acredito q passei situações piores, pois cheguei no dia da final da copa do mundo, então sempre q conhecia alguem, a primeira pergunta era sempre : -Que passa con Ronaldinho????
q saco, eu nem gosto de copa do mundo!
bom, aproveite bastante, e boa viagem!!!
beijoooo
(ainda tô com inveja!)
vc é incrível! disse tudo q eu queria dizer, e mais um pouco! tb me assustei com o fato de não ver negros nas ruas, e de todos serem parecidos, só vária estatura e gordura!rs...
quanto ao futebol, acredito q passei situações piores, pois cheguei no dia da final da copa do mundo, então sempre q conhecia alguem, a primeira pergunta era sempre : -Que passa con Ronaldinho????
q saco, eu nem gosto de copa do mundo!
bom, aproveite bastante, e boa viagem!!!
beijoooo
(ainda tô com inveja!)
Lorena
esqueci de me identificar antes!!!rs..
Chica!
Adorei esse seu primeiro post comentando suas primeiras impressões sobre a Argentina... demonstra uma sensibilidade e uma perspicácia ímpar =)
A navalha eu acredito que tenha a mais tempo, mas quem sabe a tesoura de desfiar????
Vermelho??? Eles devem estar assistindo aquele seriado "rebelde" d++++ :P
Torneira dupla... irado =)
Taxista mete a faca em turista em tudo quanto é lugar, melhor você arrumar belo mapa das cidades que vai visitar e pegar ônibus, a não ser que táxi seja realmente barato.
Sem negros? o.O Isso é realmente diferente.
Decepćão com o governo Lula? Avise-os que o povo brasileiro também se sente assim...
Peruanos na rua da margura? Em São Paulo eles também vivem esse drama. :/
Continue com essa sensibilidade a flor da pele para absorver tudo o que os nossos hermanitos tem a oferecer. ;)
PS.: Tome cuidado com os seus pertecentes no albergue, é incrível como as coisas somem nesses lugares, veja se eles tem "lockers" (armários) e guarde suas coisas lá.
PS2.: Tome cuidado com tudo que não fique fixo ao seu corpo, bolsas, maquina fotográfica, etc... o ideal é que fique na mochila coisas soltas, e documento, dinheiro, naquelas carteiras de viagem colado ao corpo.
Fabinhaaaaa!!!
Saudades demais de vc!
Como assim vc vai fazer uma viagem maravilhosa dessas e eu não fico sabendo?! (QUER DIZER... VC ATÉ JÁ TINHA COMENTADO COMIGO, MAS FAZ UM TEMPINHO...)
Adorei essa sua descrição! Você sempre teve esse dom de escrever tão bem, desde a época da escola, e conseguir fazer eu terminar de ler um texto! hehehehe
Bem, o que tenho a dizer é que vc aproveite tudo o que puder e vai com calma, que muuuitas outras viagens como essa, ou melhores, se Deus quiser, virão!
Divirta-se! E quando voltar (e eu aparecer em Brasília) quero ver TODAS as fotos!
Amiga, TE AMO!!!
Beijão
Rê
Eu queroooooo!!!
Saudades, amiga.
E faça tudo o que eu faria
Te amo
Maly
t.a.l.e.n.t.o.s.a.
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